Desigualdade diminui, mas renda de negros ainda é metade da de brancos no Brasil, aponta estudo

Relatório do Ipea, FJP e Pnud analisa a influência de etnia, gênero e situação de domicílio no IDHM do país. Mesmo com mais escolaridade, mulheres têm renda 28% inferior à dos homens.

10 MAI 2017   |   Por Jornalismo  |   14:22
Foto: Coletivo de Entidades Negras

Em 10 anos, as desigualdades sociais relacionadas a etnia, gênero e situação de domicílio (urbano ou rural) diminuíram no país. Apesar disso, o Brasil ainda apresenta muitos contrastes entre a sua população – a exemplo dos negros, cuja renda média ainda é metade da dos brancos. É o que aponta um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) com a Fundação João Pinheiro (FJP) e com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), divulgado nesta quarta-feira (10).

O estudo analisa o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) e outros 170 dados socioeconômicos por cor, sexo e situação de domicílio dos anos censitários de 2000 e 2010 para mostrar como a vida dos brasileiros mudou ao longo da década.

Os dados mostram melhores resultados para brancos, para homens e para a população urbana. No Brasil, somente em 2010 o IDHM dos negros se aproximou ao índice dos brancos medido dez anos antes. Ou seja, o IDHM dos negros levou 10 anos para equiparar-se ao IDHM dos brancos – que seguiu avançando e ficou 12,6% superior ao dos negros em 2010.

Em relação à diferença de ganhos entre brancos e negros, em 2010, a renda domiciliar per capita média da população branca era mais que o dobro da verificada para a população negra: R$ 1.097,00 ante R$ 508,90.

A renda das mulheres também era desigual: mesmo com melhores níveis educacionais, a renda média delas era 28% inferior à dos homens. Já entre o campo e a cidade, a renda domiciliar per capita média da população urbana era quase três vezes maior que a da população rural.

Segundo o estudo, porém, houve uma redução das desigualdades e avanços em todos os indicadores para o período. O relatório destaca, por exemplo, que a diferença entre o IDHM de negros e brancos reduziu-se pela metade no período de 2000 a 2010.

A diferença entre o menor indicador (IDHM dos negros) e o maior indicador (IDHM dos brancos) passou de 0,145 em 2000, para 0,098 em 2010. Segundo o relatório, isso mostra que a melhora no IDHM para o período de dez anos foi maior para os grupos mais vulneráveis, que apresentavam os indicadores mais baixos, o que pode ter contribuído para a diminuição da desigualdade no país.

No período analisado, a taxa média de crescimento anual do IDHM da população negra foi de 2,5%, apresentando o melhor desempenho, ante 1,4% dos brancos, 1,9% para mulheres, e 1,8% para os homens.

Para a população negra, os níveis educacionais foram os que mais contribuíram para o avanço, com um crescimento médio anual de 4,9%. A educação também foi a dimensão que mais avançou no IDHM da população branca, das mulheres e dos homens, mas com taxas médias de crescimento anual inferiores – 2,7%, 3,3% e 3,6%, respectivamente.

O relatório destaca que o país obteve grandes avanços em relação à longevidade, à educação e à renda a partir da adoção de estratégias inclusivas das últimas décadas, como o aumento progressivo no valor do salário mínimo, as transferências de renda condicionadas, as políticas de ações afirmativas e os investimentos na saúde e na educação. Mas deixa claro que “o país ainda apresenta grandes desigualdades internas e regionais”, como as já citadas.

“É necessário que se continue, progressivamente, a promover políticas abrangentes adaptadas às populações que sofrem discriminações e exclusões históricas, evitando retrocessos e garantindo que ninguém será deixado para trás”, afirma o relatório.

 

(Fonte: G1)

 
















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