Com repasse de R$ 40 milhões, Inpe tem menor verba em dez anos e tenta driblar falta de recursos

Investimento de R$ 40 milhões é o menor repassado em uma década. Valor põe em risco satélite com investimento de R$ 280 milhões.

22 JAN 2018   |   Por Jornalismo  |   09:30
Foto: Carlos Santos/G1
Com repasse de R$ 40 milhões, Inpe tem menor verba em dez anos e tenta driblar falta de recursos
Instituição tem verba para manter subsistência por seis meses

Com satélite de monitoramento de floresta Amazônia 1 e a previsão do tempo ameaçadospela falta de recursos, o orçamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) será em 2018 o menor em pelo menos dez anos. Neste ano o instituto recebeu repasse de R$ 40,6 milhões, e segundo o diretor, Ricardo Galvão, o valor cobre apenas o pagamento das contas de subsistência, como o pagamento de servidores, contas de energia e telefone e contratos já fechados.

O levantamento das receitas do Inpe na última década foi feito a pedido do G1Em 2017, o instituto que fica em São José dos Campos (SP) teve queda de R$ 53 milhões no investimento, um corte de 44% em relação ao ano anterior.

A redução veio no ano em que o Inpe havia pedido a troca do Tupã – o supercomputador que mantém o serviço de previsão do tempo ativo em todo o país. O equipamento chegou a parar de funcionar por dois dias no último mês de novembro. Sem dinheiro para substituição, o equipamento vai ser reparado paliativamente.

Um outro alerta é para o risco de perder o investimento de R$ 280 milhões no Amazônia I. O satélite que seria o primeiro completamente brasileiro foi anunciado em 2009 para ser lançado em 2011, mas sofreu adiamentos por causa de crises orçamentárias.

Segundo Galvão, a data limite para o lançamento é 2019, caso contrário, todo investimento feito pode ser perdido. “Os componentes têm validade e não podem esperar por mais tempo. Eles começam a apresentar falha e aí teríamos que começar trocas e o satélite todo ficaria comprometido. O investimento seria perdido sem o lançamento”, lamentou.

O lançamento custa em média R$ 120 milhões e deveria ter sido licitado no ano passado, porque são necessários dois anos para adaptação ao foguete contratado para o lançamento. Por causa do corte, o certame não foi aberto e permanece suspenso, sem previsão.

O satélite atuaria no combate aos desmatamentos ilegais e queimadas. O equipamento é necessário para a modernização do serviço, que já feito pelo Inpe há 20 anos.

 

Cobrança

 

“Acho que a ciência e tecnologia não está tendo a atenção que deveria ter. O governo não sabe dar a prioridade necessária para nós”, avaliou Galvão.

O órgão aguarda, com expectativa, uma fatia adicional ao orçamento. O valor vem da Agência Espacial Brasileira (AEB) - no último ano o repasse foi de pouco mais de R$ 20 milhões. Ainda não há previsão de quanto ou quando ele deve ser feito neste ano.

Dos R$ 40,6 milhões liberados pelo Ministério do Planejamento ao Inpe, uma fatia de R$ 22,6 milhões é 'carimbada' para os custeios de subsistência. Apenas com esse recurso, o local manteria as atividades por mais seis meses.

Desafios

 

Segundo Galvão, a saída para a falta de dinheiro vai ser readequar os contratos de limpeza, segurança e, mais uma vez, suspender obras de manutenção e projetos.

“A nossa linha de trabalho é congela, corta e tenta manter. Paramos novos projetos de produção de tecnologia. Diminuímos nossos contratos de serviços e mantemos o equilíbrio do orçamento. A esperança é de que novos investimentos venham até o fim ano”, disse.
















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