Sindicato cobra investimento de R$ 2,5 bilhões para GM em São José

Acordo, firmado em 2013, previa a implantação de uma nova linha de veículos até 2017 e a contratação de 2,5 mil trabalhadores. Montadora descarta investimento; sindicato ameaça acionar o MP.

02 OUT 2017   |   Por Jornalismo  |   09:03
Foto: Reprodução/TV Vanguarda
Sindicato cobra investimento de R$ 2,5 bilhões para GM em São José
Sindicato cobra GM por acordo

Sindicato dos Metalúrgicos acusa a General Motors de não cumprir um acordo que prevê um investimento de R$ 2,5 bilhões na unidade de São José dos Campos (SP). O compromisso, firmado em 2013, durante as negociações que culminaram no fechamento de uma das fábricas do complexo e 598 demissões, previa a implantação de uma nova linha de veículos até 2017 e a abertura de 2,5 mil postos de trabalho. A montadora descarta o investimento. (leia mais abaixo)

O sindicato defende que cumpriu o que era previsto no acordo - cujo principal ponto era a redução do piso salarial dos operários - , mas a GM informou que mesmo com redução nos salários dos funcionários, o investimento não é financeiramente viável. O sindicato aponta que sempre se manteve aberto às negociações.

O texto do documento assinado pela GM e pelo sindicato, em 2013, sinalizava que o acordo tinha por objetivo a fixação de condições necessárias para a implantação e produção de um novo projeto automotivo com investimento da ordem de R$ 2,5 bilhões, com início de fabricação previsto para 2017".

Entre as exigências estavam, além da fixação do novo piso na unidade para a produção do novo carro, a regulamentação do trabalho aos domingos. Os funcionários que foram contratados a partir deste acordo já foram admitidos com o novo valor.

"Fizemos diversos acordos com a empresa, cumprimos todas as exigências, não tem nenhum empecilho, nada que impeça o investimento na cidade. Queremos nesse momento que se concretize o acordo e vamos pedir ajuda das autoridades para isso”, afirma o secretário-geral do Sindicato, Renato Almeida. O sindicato diz que sempre se manteve aberto às negociações.

Já o advogado do sindicato, Aristeu Pinto Neto, disse que não descarta entrar na Justiça contra a montadora por causa do descumprimento do acordo. "O acordo coletivo firmado com a GM tem força de lei", disse. Segundo ele, o Ministério Público do Trabalho deve ser acionado.

Excluído

 

Apesar da montadora ter se comprometido em priorizar a unidade de São José para novos investimentos, as unidades São Caetano do Sul (SP) e Joinville (SC) foram escolhidas para novos investimentos nos últimos anos. O complexo de São José já foi considerado pela marca o mais importante do país.

Funcionários demitidos entre 2012 e 2013 afirmam que caso o investimento viesse para a fábrica de São José, as novas vagas seriam uma oportunidade deles retornaram ao mercado de trabalho. Uma das cláusulas do contrato previa que os atingidos pelo corte tivessem prioridade nas contratações da montadora.

"Esse investimento seria bom para toda região. Eu ainda não consegui voltar para o mercado de trabalho e esse investimento poderia tanto me ajudar, como ajudar os meus colegas que também sonham em se recolocar profissionalmente. É uma fase que o desemprego está muito grande", afirmou o desempregado João Carlos Morioto, que trabalhou na empresa por 16 anos.

A direção do sindicato afirma que vai insistir para obter o investimento. "O sentimento na fábrica é de esperança na promessa. Queremos a contrapartida, vai ser muito importante para a região. Estamos na maior crise econômica e política do Brasil e se for cumprido o acordo vai ser muito bom para a cidade", concluiu.

 

Outro lado

 

Por meio de nota, a GM afirmou que foi realizado um estudo para verificar a viabilidade de se incluir uma nova linha de produção na unidade aproveitando a diferença salarial que foi retirada dos funcionários, mas que "a proposta de redução dos custos laborais se mostrou insuficiente para assegurar a produção do carro".

A GM afirmou ainda que essa decisão foi tomada em 2015 e que, na época, o sindicato foi avisado - a entidade nega. Questionada pela reportagem sober previsão de novos investimentos na fábrica no interior de São Paulo, a GM não comentou.

Sobre os investimentos feitos eu outras duas montadoras, a empres informou que "estão ligados a outros projetos que cumprem todos os requisitos de custos e competitividade".

(Fonte: G1)
















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