Estado mapeia escolas violentas no Vale e quer 'mediar conflitos'

Meta é ter um profissional que faça a mediação de conflito em todas as 353 escolas estaduais do Vale do Paraíba; nas mais violentas, serão dois mediadores; o Estado irá levantar escolas mais violentas e em áreas vulneráveis

29 09 2017   |   Por Jornalismo  |   10:37
Foto: Divulgação
Estado mapeia escolas violentas no Vale e quer 'mediar conflitos'
Governo de S. Paulo está mapeando casos de violência e apostando em mediar conflitos

A Secretaria de Estado da Educação vai identificar as escolas estaduais mais violentas no Vale do Paraíba e reforçar o programa de mediação de conflito nessas unidades escolares.

A meta é ambiciosa: ter um profissional qualificado para resolver conflitos entre alunos em cada uma das 353 escolas estaduais do Vale.

Naqueles consideradas mais vulneráveis à violência, serão ao menos dois mediadores atuando junto aos estudantes, para evitar problemas.

Para tanto, a Secretaria de Educação irá traçar um mapa da violência de acordo com o ROE (Registro de Ocorrências Escolares), sistema que monitora os conflitos em escolas desde 2009.

"Não é no sentido de procurar culpado, mas para organizar a demanda formativa", explica o professor Alex Carneiro, coordenador do Núcleo Pedagógico de Filosofia da Diretoria de Ensino de São José dos Campos.

Ele já foi coordenador do projeto de mediação e afirmou que os conflitos são inerentes às escolas em razão do tempo que as crianças e adolescentes passam juntos, ainda mais nas escolas de tempo integral.

"Os tipos de conflito são os mais variados possíveis, mas o bullying é o mais frequente e exige muitos círculos restaurativos", afirma.

A mediação de conflitos é uma forma de diálogo em que agressor e agredido são colocados frente a frente para conversarem, mediados por um profissional qualificado. Processo é chamado de "círculo restaurativo".

Segundo Carneiro, não se trata de apontar o dedo ao culpado ou de constranger a vítima, mas de permitir que um se coloque no lugar do outro. A ferramenta mais usada é o diálogo técnico e sem pré-julgamento, que sirva de estímulo o entendimento.

"Quem cometeu a agressão ouve o agredido. Isso é importante. Procuramos reparar a vítima, com ela tendo a oportunidade de colocar para fora. A partir disso, começa a se colocar no lugar do outro", explica.

E completa: "Às vezes, é preciso dois, três círculos restaurativos para conseguir resultado em um conflito. Dá muito trabalho. Não é medida paliativa e exige profissionais atentos e formados".

'A mediação precisa vir acompanhada de outras políticas', de acordo com Apeoesp

Na avaliação da Apeoesp, o Sindicato dos Professores Estaduais, o programa de mediação de conflito é positivo, mas deve ser acompanhado de outras políticas complementares. Uma delas é resolver a violência que professores sofrem dentro da escola. Pesquisa feita pela Apeoesp na rede estadual revela que 3 em cada 10 professores já sofreram violência na escola. "Tem aumentado os casos de violência nas escolas, e isso é preocupante", disse o professor Gilmar Ribeiro, coordenador da Apeoesp em São José dos Campos.

Segundo ele, a mediação de conflito é uma "política interessante", mas que não resolve a situação do professor. "Ele precisa ter garantias para trabalhar". Ribeiro também cobra a redução de alunos em sala de aula. "Hoje tem superlotação, e isso aumenta o conflito".

(Fonte: OVALE)
















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