Brasil encerra missão de paz no Haiti e 260 militares voltam ao Vale

Brasil anunciou fim da missão neste mês e retira as tropas do país. Eles começaram a voltar na última sexta-feira (22).

25 09 2017   |   Por Jornalismo  |   09:40
Foto: Arquivo Meon
Brasil encerra missão de paz no Haiti e 260 militares voltam ao Vale
Carlos quando retornou ao Brasil após o terremoto e reencontrou os pais

Com a retirada das tropas brasileiras do Haiti, depois que o Brasil encerrou oficialmente, após 13 anos, a missão de paz neste mês no país, militares começaram a voltar para casa. Um grupo de 260 militares do Vale do Paraíba, dos batalhões de Lorena, Caçapava e Pindamonhangaba, começaram a retornar do país na última sexta-feira (22).

Um dos momentos mais marcantes e trágicos da missão foi o terremoto em 2010 que deixou 230 mil mortos, sendo 18 militares brasileiros - a maioria da região. Carlos Michael de Almeida, que integrava o Batalhão em Lorena, relembrou que ficou no país por sete meses e que faltando três dias para ele retornar ao Brasil vivenciou o desastre.

“Eu estava dormindo no 3º andar do alojamento quando o telhado caiu sobre mim. No primeiro momento pensei que tinham jogado uma bomba. Eu comecei a sair dos escombros e vi que eu tinha ido parar no primeiro andar. Comecei a procurar os meus colegas e eles me disseram que eu estava com a cabeça sangrando”, afirmou Carlos, que desde criança sonhava ser militar e entrou na corporação com 18 anos.

Ele conta que dez colegas que estavam com ele no alojamento morreram, segundo que um deles era um amigo de infância. “Eu tenho pesadelo com isso até hoje. Foi horrível, eu fiz uma tatuagem em homenagem a eles na cabeça, onde fiquei ferido", disse ex-militar, que é de Cachoeira Paulista.

Depois da tragédia, Carlos disse que trocou de profissão e virou bombeiro civil. O motivo, segundo ele, foi a vontade de salvar o máximo de pessoas possível. "Já que não consegui salvar os meus colegas. Me senti prepotente por não ter tido a chance de salvá-los”, lamenta.

Segundo o Exército, os militares que estão voltando à região executaram desde serviços de segurança como comboios e autoridades, segurança de bases brasileiras e de outros países, operações Conjuntas com a Polícia do Haiti (PNH) e da Polícia da ONU (UNPOL), patrulhamento urbano a pé e motorizado, reconhecimentos aeromóveis, como apoio a ajuda humanitária, com atendimentos médicos e odontológico, além da distribuição de alimentos.

"Essas ações foram frequentes e tiveram como objetivos dissuadir possíveis manifestações de natureza agressiva e prática de delitos, a fim de proporcionar tranquilidade à população haitiana na área de responsabilidade do Batalhão e a manutenção do ambiente seguro e estável no Haiti", disse trecho de nota enviada pelo Exército para o G1.

Carlos conta que foi para o país como tentativa de alavancar o currículo e ter mais oportunidades quando voltasse. “Lá eu mudei o conceito sobre o que é 'uma vida melhor'. Eu vi o povo passando fome, a miséria, o lugar tem cheiro ruim. Comecei a ver a vida de outra maneira, que dinheiro não é tudo. Senti falta da minha família quando vi que os pais tomavam o que as crianças ganhavam para comer e comiam na frente delas porque lá a fome era tão grande que as pessoas nem pensam nos próprios filhos. Um caos”, relembrou, emocionado.

Ele conta que depois que voltou para o Brasil precisou de tratamento psicológico e que até hoje é influenciado pelas experiências que viveu no país. “Apesar de triste, foi uma experiência maravilhosa que me tornou quem sou hoje”, relatou.

(Fonte: G1)
















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