Com desinteresse da população pela política, aumentam as faltas nas votações

"Quem não gosta de política será governado por quem gosta", afirma historiador.

21 08 2017   |   Por Jornalismo  |   08:32
Foto: Reprodução/TV TEM
Com desinteresse da população pela política, aumentam as faltas nas votações
Documento também é exigido em concursos, vestibulares e na solicitação do passaporte

O número de títulos de eleitores cancelados na região pela ausência nas votações aumenta a cada eleição. De acordo com o Superior Tribunal Eleitoral (TSE), São José dos Campos – cidade com o maior número de eleitores no Vale do Paraíba – por exemplo, teve 7.594 documentos cancelados em 2017, quase 70% a mais do que em 2005, quando foram 4.470.

O cancelamento do título de eleitor por esse motivo acontece quando o cidadão tem três faltas consecutivas não justificadas em votações. Semanas antes do processo de suspensão dos documentos, a Justiça Eleitoral abre um período para que a situação seja regularizada. Mesmo assim, a maioria absoluta acaba perdendo temporariamente o direito ao voto.

Para o historiador Moacir José dos Santos, esse processo é um reflexo do desinteresse da população com a política nacional, mas que é prejudicial para a melhoria do processo. Ele afirma que, como em uma bola de neve, quanto menor a participação da sociedade no processo eleitoral, menor será o compromisso da classe política com os interesses da comunidade ou do grupo que representam.

“Na medida em que há uma reduzida participação popular, e mesmo aqueles que votam o fazem por obrigação, isso dilui o compromisso daqueles que foram eleitos de realizar ações, de manter transparência, de manter uma relação direta com o eleitor”, explica o especialista.

Entre as seis maiores cidades da região, a que teve o maior número de cancelamento de títulos por ausência em três votações seguidas foi Pindamonhangaba. Lá, o número de cancelamentos cresceu 217% entre 2005 e 2017 - os dados são referentes as eleições de 2004 e 2016. Dos 2.458 ausentes, apenas 3,2% compareceram ao cartório para evitar a suspensão.

As outras, porém, não ficaram atrás: Taubaté registrou 178% de elevação nos índices, Guaratinguetá teve 148%, Jacareí apontou 117% e Caraguatatuba teve 94%.

Além dos prejuízos ao processo de escolha democrática dos representantes, Moacir alerta para os prejuízos diretos que um cidadão tem quando seu título é cancelado. Sem ele não é possível participar de concursos públicos, vestibulares e até tirar outros documentos, como o passaporte.

Essas situações, inclusive, são muito recorrentes na vida dos mais jovens, por exemplo, e por isso é um grupo que merece mais orientação sobre a importância da participação na vida eleitoral. O historiador atribui ao cenário político conturbado pelo qual o Brasil passa a rejeição também dos adolescentes de 16 a 17 anos, que ainda têm voto facultativo.

“São os próximos eleitores e de fato há um excesso de informações e uma dificuldade de filtrá-las, principalmente pela potencialização das redes sociais com as chamadas fakenews [notícias falsas, em tradução livre, que viralizam na internet]. Penso que é preciso um processo de integração para o jovem porque quem não gosta de política será governado por quem gosta, então o afastamento do jovem da política é muito ruim”.

Se engana quem pensa, ainda, que essa queda é exclusividade das cidades com grande número de eleitores. Em Arapeí e Areias, que possuem menos de 3,5 mil eleitores, o aumento foi de cerca de 200% e 50%, respectivamente. Moacir alerta que é preciso estudar a fundo esse cenário para entender como traçar estratégias para aproximar as pessoas da vida política.

“O número em si é revelador, mas não é suficiente para a gente identificar quais são as pessoas ou qual o perfil das pessoas que de fato perderam a esperança com a política, se é algo generalizado ou se são pessoas que não têm essa informação das implicações legais de não ter o título de eleitor”, conclui.

(Fonte: G1)
















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