A CAUDA DA BALEIA É MAIS LONGA DO QUE IMAGINAMOS

Por Maristela Alves 24/04/2017 - 14:23 hs

Mais do que culpar a série americana que está bombando na mídia, mais do que causar pânico entre a população por causa de um jogo misterioso supostamente ligado a casos recentes de suicídio, é preciso compreender a complexidade dos seres humanos. A cauda dessa baleia é muito extensa. Muito mais do que imaginamos.

Uma obra de ficção pode ter sido criada pensando em várias vertentes, sob diversas visões e direções, o que nos dá margem para inúmeras interpretações.

Interpretação pessoal número 1: A mensagem da série 13 reasons why, da Netflix, pode não ser sobre cometer suicídio, mas sim, sobre mostrar que ações do nosso dia a dia afetam intencionalmente ou não a vida dos que estão à nossa volta, e principalmente, deixar claro e explícito de que forma essas ações as afetam.

Interpretação pessoal número 2: Não somos robôs que simplesmente emitem e recebem dados, os processam e os disseminam automaticamente. Somos seres humanos que emitimos palavras carregadas de sentidos. Emitimos sentidos carregados de sentimentos. E consequentemente ações que intencionalmente ou não, positivamente ou não, afetam a vida dos que estão ao nosso redor.

Não sou psicóloga, e para falar a verdade, basta ser humana para entender que:  A intensidade com que tais ações são recebidas é totalmente relativa. Varia de receptor para receptor. Falando em português claro, varia de pessoa para pessoa. PESSOA! A partir do momento que lidamos com pessoas (e não com máquinas), precisamos ter consciência de que o alvo das nossas emissões, também está carregado de sentimentos, e pode (aí a questão da relatividade da intensidade) estar já fragilizado por razões psicológicas que não consegue compreender sozinho.

E as fragilidades humanas, diga-se de passagem, nem sempre estão visíveis. Aliás, ocultá-las é tarefa diária do ser humano.

Os dados não são de hoje! Cinco anos antes da disseminação do “jogo” Baleia Azul no Brasil, ou da criação da série 13 reasons why, a agência da ONU já contabilizava mais de 800 mil mortes por suicídio no mundo. A 2ª principal causa de mortes entre jovens de 15 a 29 anos.

Sendo assim, tais criações, uma com intenções explícitas de atentado à vida, e outra com intenções mercadológicas sim, mas também de conscientização, não são as causas que levam uma pessoa a cometer suicídio. São os meios pelos quais a mídia se aproveitou para colocar em evidência um assunto que carrega números tão alarmantes, em um mundo que carece de ações públicas que promovam a prevenção ao suicídio.

Agora vamos mudar de cenário. Da ficção para a “realidade” virtual. Psiquiatras que criticam a série, afirmam que as causas de suicídio são muito mais complexas do que elencar e enumerar 13 razões e apontar culpados pelo ato. Igualmente complexas são as razões que levam uma pessoa a entrar em um desafio mortal como o “jogo” da Baleia Azul. Como interpretado pelo youtuber Felipe Neto, o jogo é somente o gatilho. Assim como um revolver não dispara sozinho, o jogo não mata, mas serve de instrumento para quem já está decidido a cometer a ação.

Já no cenário real (não virtual), o animal que teve seu nome ‘roubado’ para intitular o “jogo”, segundo biólogos, ao contrário de boatos que tentam linkar o nome do mamífero ao jogo, a espécie baleia-azul não se encalha por vontade própria com o intuito de suicídio, mas sim, por questões de falhas em seu sistema de ecolocalização causadas pelo impacto de atos humanos, como a poluição dos mares. O resultado disso são os riscos iminentes de extinção dessa espécie.

E agora penso que, igualmente extinta está se tornando a percepção dos seres humanos de compreender que, assim como Hannah Baker (personagem que comete suicídio em 13 reasons why) diz: Tudo afeta tudo!















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