Doce do marmelo uma tradição antiga na cidade de Marmelópolis no interior de MG

Cidade foi uma das maiores produtoras da polpa da fruta na década de 30

Por Ronaldo Junior 18/01/2018 - 11:14 hs
Doce do marmelo uma tradição antiga na cidade de Marmelópolis no interior de MG
Divulgação

No início da década de 30, a cidade foi considerada uma das maiores produtoras de polpa de marmelo. Dos 2 milhões de pés existentes na região, 600 mil ficavam nesta cidade. O nome da cidade de Marmelópolis veio da fruta, e é uma tradição muito antiga para os moradores. O doce de marmelo tem aparência que lembra a maçã, pera, com uma coloração amarelo-dourada. Mas, não é muito consumida ao natural porque o sabor é bastante ácido e lembra muito a maçã quando está verde. Por isso, o principal destino do marmelo é a produção de doces, geleias e sopas.


A importância da produção de marmelo para Marmelópolis foi imensa, isso se nota pelo próprio nome da cidade. Foi graças ao marmelo que se desenvolveu na cidade, o trabalho, o comércio, o crescimento da população e até mesmo a ocupação territorial desta área. A estrada construída naquela época ainda é a principal até os dias de hoje.

 

Segundo a professora de história Ana Flávia Ribeiro em 1914, Manoel Frederico Ribeiro trouxe para o povoado de Queimadas as primeiras mudas de marmelo, ofertadas pelo senhor Lebron, de Delfim Moreira que desenvolveu a cultura em sua fazenda. Francisco Rodrigo Coura e Francisco Bruno Ribeiro plantaram o segundo e o terceiro marmelal na cidade.

 

Dessa forma, por todo o final do século XVI e atravessando os seguintes, até o fim do período colonial, a marmelada representou importante produto de exportação, chegando a valer mais que uma grama de ouro por caixa.

 

Foi, porém, nos arredores da capital paulista, que a sua cultura chegou a ter real expressão econômica, pois permitiu, em pouco tempo, o desenvolvimento de uma importante indústria – a marmelada – que conquistou, com justiça a reputação de ser a melhor sobremesa da época. Tal ponto chegou a fama e o volume da produção da marmelada em São Paulo, que não tardou que se fizesse a sua remessa as outras regiões do país.

 

O marmelo não acabou totalmente, porém a produção diminuiu de maneira assustadora. A estagnação da lavoura se deu devido a diversos motivos. Entre eles a falta de renovação dos marmeleiros, o que ocasionou a queda da produção.  Outro fator foi a falta de incentivo do governo para que a região tivesse uma assistência técnica.

 

Por volta de 1935 a agricultura do marmelo aumentou e era extenso. Por isso foi necessário a instalação de uma Fábrica na região, era o sonho dos moradores.

 

Havia a plantação, mas não tinha a fábrica que pudesse fazer a extração da polpa do fruto. De modo que Luiz Gonçalves Ribeiro, morador da região, foi até o Rio de Janeiro, na Fábrica Colombo, a fim de conseguir uma sociedade e trazer uma filial para a região. Vieram com ele dois engenheiros que se tornaram seus sócios: José Cardoso Ferrão e Albano de Oliveira. Por isso a fábrica recebeu o nome de Fábrica União.

 

Segundo o produtor de marmelo, Darci Donizete Pereira, o seu avô José Francisco Pereira foi um dos primeiros que plantou o marmelo. É uma tradição de seu avô que não vai deixar acabar. Hoje esse produtor, além de vender a fruta e a muda do marmelo, faz com sua mulher o doce caseiro e a sopa da fruta para vender aos moradores da cidade.

 

Era uma época feliz, época em que as pessoas trabalhavam por prazer não só para ganhar dinheiro, mas que a amizade e a companhia eram importantes. “Tudo o que tenho saiu do ganho do marmelo. Foi uma fonte de renda, pois comprei terrenos de meus irmãos e de meu pai. Pude eu colher 400 mil kg de marmelo sozinho” afirma o maior fazendeiro da época Benedito Ribeiro Fortes, com um ar de saudade.

 

O Produtor Darci afirma que é importante fazer o curativo do marmeleiro duas vezes ao ano. Uma em outubro e outra em dezembro para não ter requeima. Surge um fato curioso, em que a geada na época certa melhora na produção aumentando a cada ano. Mesmo que não tenha produção deve-se cuidar para garantir e ter o controle na próxima safra.

 

O técnico em Agropecuária e dono da fábrica de marmelo, Moisés Ribeiro Cunha diz que não quer deixar morrer o nome da cidade e afirmou que seu pai antes de morrer havia falado: herança não tenho para deixar, e a única coisa que deixo é a receita do doce.

 

Sua fábrica em épocas de safra chega a ter até 15 pessoas trabalhando, e durante o ano apenas 3. Produzindo cerca de 600 kg de doce por semana. Devido à crise, a demanda caiu para 350 kg por semana. Funciona de segunda-feira a sexta-feira.

 

A fábrica compra a fruta dos produtores da cidade, faz a massa dentro de 15 minutos e com validade de 3 a 5 anos sem abrir a lata. Leva para o Vale do Paraíba, todo o sul de minas, Fernão Dias, Pouso Alegre, Litoral Norte e São Paulo.

 

O marmelo trouxe trabalho e dinheiro para muitos. Muitas famílias se enriqueceram graças a esta fruta. No período áureo da produção de marmelo a cidade tinha mais fartura, mais movimentos e mais alegria. “O marmelo foi a fonte que trouxe riqueza para este lugar! ” afirma João Bruno Ribeiro, neto do primeiro habitante.

 

 

 

 

 











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